Quando pensamos em comércio internacional, é comum imaginar navios gigantes atravessando oceanos. Mas, antes de qualquer produto chegar às lojas, ele passa por uma complexa rede de portos, terminais, guindastes, caminhões e ferrovias.
É nesses pontos de conexão que contêineres com eletrônicos, alimentos, roupas, máquinas e matérias-primas entram e saem dos países. Em 2025, os maiores portos do mundo continuaram concentrados principalmente na Ásia — especialmente na China —, mas também houve mudanças importantes em outras regiões.
A classificação considera o volume de contêineres movimentados por cada porto durante o ano. A unidade utilizada é o TEU, sigla em inglês para Twenty-foot Equivalent Unit, ou unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.
Um contêiner de 40 pés equivale a dois TEUs. Portanto, quanto maior o número de TEUs, maior foi o volume de contêineres embarcados, desembarcados ou transferidos pelo porto.
É importante observar que esse ranking mede movimentação de contêineres, e não necessariamente o peso total das cargas. Um porto especializado em minério, petróleo ou grãos pode movimentar muitas toneladas e ainda assim não aparecer entre os líderes em TEU.
Com base no ranking da Lloyd’s List para 2025, os dez principais portos de contêineres foram:
| Posição | Porto | País ou território | Observação |
|---|---|---|---|
| 1 | Xangai | China | Líder mundial em movimentação de contêineres |
| 2 | Singapura | Singapura | Principal hub de transbordo internacional |
| 3 | Ningbo-Zhoushan | China | Um dos maiores complexos portuários do planeta |
| 4 | Shenzhen | China | Importante corredor industrial e tecnológico |
| 5 | Qingdao | China | Destaque no comércio exterior chinês |
| 6 | Guangzhou | China | Grande porta de entrada e saída do sul da China |
| 7 | Busan | Coreia do Sul | Principal hub portuário sul-coreano |
| 8 | Tianjin | China | Atende Pequim e o norte da China |
| 9 | Dubai | Emirados Árabes Unidos | Principal plataforma logística do Oriente Médio |
| 10 | Port Klang | Malásia | Um dos principais centros marítimos do Sudeste Asiático |
A relação de posições da Lloyd’s List mostra a força contínua dos portos asiáticos, com seis cidades chinesas entre as oito primeiras colocadas.lloydslist
O porto de Xangai permanece no topo do ranking mundial. Sua importância está diretamente ligada ao peso industrial e exportador da China.
O complexo portuário atende uma extensa área econômica no delta do rio Yangtzé, uma das regiões mais industrializadas do país. De Xangai saem produtos manufaturados, componentes eletrônicos, máquinas, veículos e bens de consumo destinados a praticamente todos os continentes.
A liderança também é favorecida pela infraestrutura ferroviária, rodoviária e fluvial que conecta o porto ao interior chinês.
Singapura não é apenas um porto de origem ou destino. Sua força está, principalmente, no transbordo: contêineres são transferidos de um navio para outro para seguir viagem a diferentes mercados.
A localização do país, próximo ao estreito de Malaca, coloca Singapura em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Além da movimentação de contêineres, o porto é conhecido pela eficiência operacional e pela conectividade com armadores internacionais.
Ningbo-Zhoushan, na costa leste da China, combina terminais modernos, grande capacidade de expansão e acesso a importantes áreas industriais.
O porto movimenta cargas de exportação e importação ligadas a manufatura, energia, produtos químicos e bens de consumo. Seu crescimento reflete a expansão das cadeias produtivas chinesas e o aumento do comércio com outros países asiáticos.
Shenzhen é um dos principais polos tecnológicos e industriais da China. Seu porto atende empresas que fabricam eletrônicos, equipamentos de telecomunicações, máquinas e produtos de alta tecnologia.
A proximidade com Hong Kong e com grandes centros industriais do sul da China torna a região especialmente relevante para o comércio internacional.
Qingdao ocupa posição estratégica na costa norte chinesa. O porto está conectado a importantes áreas industriais e agrícolas, além de participar de rotas comerciais que ligam a China à Europa, ao Oriente Médio e ao restante da Ásia.
Sua movimentação inclui contêineres, veículos, equipamentos industriais e produtos agrícolas.
O ranking de 2025 confirma uma tendência que já vinha se consolidando há décadas: a Ásia continua sendo o centro da movimentação mundial de contêineres.
Segundo a Lloyd’s List, os portos asiáticos responderam por quase 68% do volume movimentado pelos 100 maiores portos do mundo. Apenas os portos chineses representaram mais de 40% do total.lloydslist
Esse domínio está relacionado a vários fatores:
forte concentração industrial na China e no Sudeste Asiático;
crescimento do comércio intrarregional;
presença de grandes hubs de transbordo;
investimentos contínuos em automação e infraestrutura;
integração entre portos, ferrovias, rodovias e zonas industriais.
Embora a Ásia domine o ranking, outros portos continuam importantes para o equilíbrio das cadeias globais.
O porto de Dubai, por exemplo, funciona como uma plataforma de conexão entre Ásia, Europa, África e Oriente Médio. Já Roterdã e Antuérpia-Bruges concentram boa parte do comércio marítimo europeu.
Na América do Norte, Los Angeles, Long Beach e Nova York/Nova Jersey continuam entre os principais pontos de entrada e saída de mercadorias. No Brasil, o Porto de Santos aparece entre os 100 maiores portos de contêineres do mundo.lloydslist
A principal mudança é que rankings mais antigos podem apresentar posições e volumes diferentes porque o comércio marítimo muda rapidamente.
Conflitos internacionais, alterações tarifárias, congestionamentos, secas em canais, novas rotas e mudanças na localização das fábricas influenciam diretamente a movimentação portuária.
Em 2024, por exemplo, os 100 maiores portos movimentaram 743,6 milhões de TEUs. Em 2025, esse volume subiu para 792,2 milhões de TEUs, um crescimento de 6,3%.lloydslist+1
Isso mostra que os portos não competem apenas por tamanho. Eles também precisam oferecer:
rapidez na operação;
conexão com ferrovias e rodovias;
estabilidade regulatória;
segurança;
automação;
capacidade de lidar com navios cada vez maiores;
resistência a crises geopolíticas e climáticas.
Um porto movimentar muitos contêineres não significa automaticamente que ele seja o mais eficiente. Volume e produtividade são indicadores diferentes.
Um porto pode aparecer entre os líderes porque está localizado em uma região industrial muito forte. Outro pode se destacar por transferir rapidamente cargas entre navios. Há ainda aqueles que conquistam relevância por sua capacidade de conectar diferentes modais de transporte.
Por isso, o futuro dos portos será definido não apenas pelo número de TEUs, mas também pela capacidade de manter as operações funcionando em momentos de crise.
As interrupções no Mar Vermelho, as tensões comerciais e a diversificação das cadeias de produção já estão alterando rotas e decisões logísticas. A própria Lloyd’s List destaca que o crescimento de 2025 foi impulsionado não só pela expansão do comércio, mas também pela reorganização das cadeias globais de suprimentos.lloydslist
O ranking atualizado mostra que Xangai continua sendo o porto de contêineres mais movimentado do mundo, seguido por Singapura e Ningbo-Zhoushan.
A China mantém uma presença dominante, mas o cenário global está em transformação. Países do Sudeste Asiático, do Oriente Médio, da África e da América Latina vêm ganhando importância à medida que empresas buscam novas rotas, fornecedores e centros de distribuição.
Mais do que simples pontos de embarque, os grandes portos são hoje verdadeiros centros estratégicos da economia mundial. Eles conectam fábricas, consumidores e mercados — e ajudam a revelar como o comércio internacional está mudando.